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Not�cia - 12/12/2024 - Fim da escala 6×1 tem apoio de 70% da população 12/12/2024 - Fim da escala 6×1 tem apoio de 70% da população

Uma pesquisa realizada pelo Projeto Brief em parceria com a plataforma Swayablade revelou que 70% da população brasileira apoia o fim da escala 6×1, com grande adesão de pessoas alinhadas à esquerda (81,3%), quanto à direita (59,4%). O levantamento ouviu 3.122 pessoas em todo o país entre os dias 22 e 26 de novembro.

A pesquisa constatou que a proposta é amplamente conhecida pela população, com 89% dos entrevistados cientes do tema. Quando apresentados a mensagens que enfatizavam os benefícios do projeto, como o impacto positivo no bem-estar dos trabalhadores, o apoio aumentou significativamente: chegou a 91,3% entre pessoas alinhadas à esquerda e a 71,5% entre as de direita.

A pesquisa também mostrou que as mulheres têm mais simpatia pela proposta, sendo 86% de apoiadoras, enquanto o apoio entre os homens é de 76%. Além disso, 77,6% dos entrevistados acreditam que uma jornada de trabalho com mais tempo de descanso resultaria em uma produtividade maior.

65,8% dos entrevistados também acreditam que a resistência das empresas a aderir o modelo está ligada à exploração dos trabalhadores e 68,1% concordam com a ideia de que setores da elite econômica se opõem a avanços nos direitos trabalhistas.

Entre os que voltaram no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2022, 44,6% afirmaram maior identificação com pautas progressistas ao saber que o fim da escala 6×1 é promovida por partidos de esquerda. Ademais, 64,6% dos eleitores de direita afirmaram que sua visão sobre representantes desse espectro político piorou ao descobrirem que alguns se opõem à proposta.

Os entrevistados participaram de maneira voluntária e anônima por meio das redes sociais. Eles forneceram informações demográficas, além de responderem perguntas sobre posicionamentos políticos e percepções relacionadas ao tema.

Impactos no custo

Na prática, a transição de reduzir a jornada de trabalho mantendo o salário não é tão simples. Segundo o economista e CEO da Amero Consulting, Igor Lucena, a principal dificuldade é que, inevitavelmente, o custo de produção aumentará.

De acordo com um estudo realizado pela VR, plataforma de serviços para trabalhadores e empregadores, 51% das empresas que utilizam a escala 6X1 são do segmento do comércio, como bares e restaurantes, serviços administrativos, hotéis e administração imobiliária. Ou seja, o setor de serviços.

“A realidade é que haverá um repasse de preços para o consumidor final e isso geraria uma pressão inflacionária muito grande”, afirma o economista.

O economista e sócio da GT Capital, Josias Bento, também concorda com Lucena que a situação irá gerar um efeito cascata em setores de alta competitividade, como o varejo, em que parte do aumento é transferida para os preços finais.

Lucena alerta que os altos custos de contratação incentivam a substituição de trabalhadores por tecnologia. As empresas já priorizam tecnologia em áreas como atendimento e produção devido à queda nos custos de implementação.

“Um exemplo são os caixas para pagar o estacionamento do shopping ou redes de fast food. A maioria já são todos substituídos por máquinas”, afirma o sócio da GT Capital. Também, para Bento, profissões de baixa qualificação podem sofrer mais, já que a tecnologia, geralmente, exige maior especialização.

A adoção dessas medidas, sem perda salarial, depende de condições econômicas específicas. Não há nenhum país ou especialista que tenha implementado isso sem o apoio governamental. Atualmente, no Brasil, não existem incentivos fiscais ou apoio financeiro para viabilizar esses modelos de trabalho. “É difícil analisar essa questão, como está sendo feito hoje, sugerindo mudanças na jornada sem que haja qualquer apoio governamental, apenas enfatizando que isso melhoraria a vida do trabalhador”, diz Lucena.

FONTE: https://forbes.com.br/




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